terça-feira, 26 de julho de 2011

Mulher recorre a policia, porque marido doou carros e ameaça largá-la

A aposentada Maria Iraci Bressianini, 65 anos, católica, diz que tem um marido de fé, mas não está contente com o fervor religioso dele, o também aposentado Sidinei José Marques, 49. O caso foi parar na delegacia após o marido doar pela terceira vez um carro para a Igreja Universal do Reino de Deus, onde ele congrega.
“Ele chegou em casa a pé e eu perguntei: ‘Sidinei, você deu o carro de novo pra igreja?’ Aí ele desconversa”, diz a aposentada, que no mesmo dia foi à delegacia e registrou queixa do ocorrido. “Estão fazendo lavagem cerebral na cabeça dele. Se meu irmão não interferisse, ele dava até a casa para a igreja”. O casal mora no Parque Hortênsia, em Maringá.
Maria registrou a queixa no último dia 14, depois de Sidinei assumir que havia entregue um Gol ano 2000 como oferta à igreja – nos últimos anos, uma Kombi e um Chevette teriam tido o mesmo destino. “Ele ainda estava pagando R$ 500 por mês de parcela”, conta a mulher. “O carro foi comprado com o dinheiro dele, mas as coisas não são assim, né? Ele disse que larga de mim, mas não larga da igreja”.
O caso ainda será apurado pela polícia. O escrivão que registrou o caso, Ivan Galdino de Freitas, disse que vai chamar o marido e o pastor da igreja para decidir o que pode ser feito. “Queremos saber o que está acontecendo. Se identificarmos que há indício de crime, alguém vai ser responsabilizado”, diz.
Sidinei tem 8 anos dedicados à igreja. Foi de poucas palavras com a reportagem. Não confirmou, mas também não desmentiu a informação da esposa, de que teria doado três automóveis para a igreja. Afirma que a doação também não foi para ajudar a instituição, mas foi em busca de uma resposta. Conta que agiu conforme sua fé.
Pastor nega
Na Igreja Universal do Reino de Deus, o pastor Robson nega que a instituição tenha recebido um carro do fiel. “Não tem nada disso. Conheço essa senhora mulher dele, ela já veio aqui reclamarem outras ocasiões. Oque houve uma vez foi ele vender um carro e fazer uma oferta à igreja”.
Maria confirma que já foi na igreja pedir o carro de volta, mas teria sido convidada a se retirar do local. A mulher conta que também já aceitou seguir a fé do marido, mas desistiu. “Eu sofro de desmaios e o Sidinei disse que a igreja podia curar. Fui lá e me agarraram pelos cabelos, chacoalharam e começaram a gritar ‘sai capeta!’. Eu comecei a chutar umas canelas para ver se eles se desgrudavam do meu cabelo e aí o pessoal achou que eu estava possuída mesmo”, relata.
Opinião
Segundo a historiadora Solange Ramos de Andrade, pesquisadora do Laboratório de Estudosem Religiões e Religiosidadesda Universidade Estadual de Maringá (UEM), é comum em algumas religiões o conceito de oferenda seja algo que tenha grande valor. “A crença, nesses casos, é que quanto mais precioso é o que você dá, maior a possibilidade de você ter uma vida melhor”, diz.
No caso de Sidinei, avalia Solange, a doação certamente foi feita na fé de que estava agindo corretamente. “Não digo que seja o caso dele, mas é claro que existem os mal-intencionados para tomar dinheiro dos outros. Mas quem doa não vai admitir isso, porque está convicto que fez o certo”, diz.

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